Se você ainda não ouviu falar da expressão Internet das Coisas, com certeza ainda ouvirá falar dela, e muito. A começar por esse prefácio, quando senão em notícias pela televisão, mídias sociais, e em novos produtos eletrônicos. Esse termo descreve a tendência de que todas as coisas ficarão conectadas à internet, o que inclui a coleira do cachorro ao avião que corta o céu. E além disso, as pessoas também.

                Kevin Ashton não imaginava que o termo que cunhava em sua apresentação na Procter & Gamble no ano de 1999 teria tanto impacto num futuro tão próximo. Inicialmente projetada como uma forma de rastrear itens numa cadeia de suprimentos utilizando identificação por rádio-frequência (RFID), a Internet das Coisas acabou indo além, fomentando toda uma estrutura de informação capaz de captar dados que vão desde os passos de um atleta até o status de uma usina nuclear. Tudo conectado, tudo interligado.

                Todavia, a conexão das coisas pela internet não é uma aplicação nova. A conexão por si só já surgiu com a própria internet, quando ainda se chamava DARPA nos meados da década de 60, e assim em diante prosseguiu. Hoje, muito facilmente você conseguirá adquirir kit que irão lhe permitir controlar lâmpadas da sua casa e saber a temperatura e umidade da sua residência. Entretanto, isso não é Internet das Coisas, isso é telemetria.

                A Internet das Coisas como fundamento de toda uma transformação da nossa sociedade conectada reside na forma como que iremos tratar as informações captadas pelos elementos conectados – incluindo humanos. A existência de equipamentos eletrônicos diversos conectados à internet já é uma realidade. Veja seu smartphone, sua smartTV, pulseiras inteligentes, carros inteligentes, e até tênis inteligentes. Essas e outras “coisas” geram dados. Numa das primeiras estimativas feitas pela Oracle, será um tamanho fluxo de dados ocasionado por cerca de mais de 50 bilhões de dispositivos conectados à internet, gerando mais de 40 trilhões de gigabytes de dados em fluxo na rede.

                O que são esses dados? Podem ser dados tais como sua pulsação, sua localização no planeta, sua velocidade, suas preferências por músicas, filmes, produtos, fotos, sua forma de andar, força ao pisar, seu trajeto de trabalho, etc! No contexto da Internet das Coisas os dados ganham sentido quando se transformam em informações. Quando esses dados ganham algum sentido.

Ou seja, sua pulseira inteligente pode monitorar sua pulsação, e cruzando com uma base de dados na nuvem – internet – ela é capaz de dizer, com respaldo na sua faixa etária e índice de massa corporal, se seus batimentos estão OK ou não, ou no pior dos cenários, se é preciso um atendimento médico.

Seu carro pode monitorar a forma como que você usa os pedais e o trajeto que você percorre todos os dias, e cruzando com uma base de dados na nuvem frente aos dados de outros motoristas, se adaptar para eletronicamente controlar os recursos do carro de forma a obter a maior eficiência no seu percurso diário, e assim economizar combustível, mesmo sem você notar.

Percebem que nestes exemplos as “coisas” captaram dados do meio, processaram esses dados, obtiveram informações com relação a esses dados, e automaticamente tomaram alguma ação? Essa é a Internet das Coisas.

Essa tomada de ação inteligente com dados obtidos de “coisas” conectadas à internet é o grande feito que chama a atenção para a Internet das Coisas. É este o ponto de convergência para novas oportunidades de negócio, novas oportunidades de idéias, produtos, inovação.

Por exemplo, fazer uma cafeteira comandada pelo celular usando a Internet não é algo tão diferente assim… Mas uma cafeteira que está integrada com o despertador, que por sua vez traçou o seu perfil de sono e com esses dados chegou à informação que você não dormiu bem, e assim é capaz de fazer um café mais forte no ponto certo pra te “acordar” para mais um dia de trabalho… Aí está a novidade!

Infelizmente nem tudo são flores. Com tanta informação assim circulando pela internet, a segurança torna-se um pilar indispensavelmente fundamental no sustento desse novo ecossistema integrado. É interessante imaginar que dentro em breve seu médico seja capaz de acompanhar seus sinais vitais remotamente, mas já pensou no risco dessas informações caírem nas mãos erradas, e um terceiro descobrir e expor eventuais problemas de saúde? É interessante imaginar o cálculo inteligente de rotas de trânsito, mas já pensou no risco de um terceiro facilmente descobrir suas rotas diárias? Esses e demais pontos mostram que há duas faces na Internet das Coisas: a beleza dos serviços, e a tragédia da exposição. A segurança, aqui, não está para brincadeira. A sociedade já está passando por uma transformação no seu cerne rumo ao estabelecimento de leis e incorporação de novas culturas quanto ao uso da Internet das Coisas – Vide os impactos causados pelas mídias sociais e o uso crescente de dispositivos conectados, de brinquedos, videogames, celulares, óculos, etc.

Por fim, a Internet das Coisas remete então ao uso da inteligência no uso das informações com base nos dados coletados de elementos diversos ao nosso redor. Já é realidade, novidade para alguns, presente para poucos, futuro de todos. O que você vai fazer com ela? Pode ser um usuário, comprando produtos conectados. Ou um empreendedor, criando os novos produtos e aplicações. Ou até mesmo um agente, participando das leis, ideias, propostas para fundamentar o seu saudável uso. Mas ela está aí, e veio pra ficar.

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