Segundo reportagem da IDGNOW (Decreto de Alckmin incentiva produção de tablets em SP), “o decreto nº 57.144, assinado pelo governador Geraldo Alckmin, que harmoniza a classificação desses aparelhos com a legislação federal”, o que, em tese, baratearia a produção de tablets no Estado, baixando os custos para os consumidores Brasileiros.

Com certeza, é um passo importante para modernizar a indústria de informática do País, que ainda é muito calcada nos obsoletos Desktops e laptops.

Porém, como nós mesmos já mencionamos em nosso artigo: “E o colonialismo digital continua…“, as iniciativas se concentram nos setores de produção de baixo valor agregado, deixando as atividades mais lucrativas para serem feitas fora do Brasil.

Lembramos as palavras do pesquisador João Maria de Oliveira, do IPEA, o qual afirma que:

“a curto prazo o país conseguirá apenas montar aparelhos a partir de componentes importados de outros países, como acontece na produção de computadores, televisores com tela fina e aparelhos celulares, cujos processadores e monitores são apenas encaixados por trabalhadores brasileiros nas linhas de produção final”

Afinal de contas, montar Tablets não é nada de mais… Você mesmo pode montar um deles, conforme mostramos no artigo: “Cansado de esperar? Monte seu próprio Tablet!“. Mas e a produção dos componentes? E a adaptação do software? E o Kit de aplicativos instalados?

O importante é trabalhar nas atividades de maior valor agregado, como o mesmo pesquisador afirma:

“Simplesmente importar uma indústria para começar a produzir este tipo de equipamento, que tem, de fato, demanda em larga escala, o valor adicionado não vai ficar aqui. Isso vai ser [destinado] para quem desenhou, articulou ou produziu softwares associados a esses equipamentos”

Como fazer?
Temos que começar a pensar como criadores e não montadores! Macacos podem ser treinados para montarem equipamentos, robôs podem ser programados para soldar e encaixar, mas nenhum pode ser programado para criar! Lembramos as palavras de Jomar Silva, no excelente artigo “Software livre não nasce em árvores: Do colonialismo ao extrativismo digital“:

“Universidades poderiam deixar de usar exemplos genéricos e trabalhos “inventados pelos professores” nas disciplinas de desenvolvimento de software e ter como meta a cada semestre otimizar um trecho de código fonte existente ou implementar uma melhoria ou nova funcionalidade em um software livre existente.”

Autor: Cleuton Sampaio

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